Muito Além da Passarela: Os Múltiplos “Modelos” que Definem Nossos Tempos
Quando a palavra “modelo” ecoa em nossas mentes, a primeira imagem que nos vem pode ser a de uma silhueta elegante desfilando em uma passarela, um padrão a ser seguido, ou talvez um exemplo de conduta. No entanto, o universo dessa palavra é vastíssimo, e sua polissemia revela-se cada vez mais evidente nos acontecimentos que moldam nosso dia a dia.

A recente e lamentável perda do modelo e influenciador JP Mantovani, vítima de um trágico acidente, serviu como um ponto de partida emocional e humano para essa reflexão. Sua partida, que gerou grande comoção, nos lembra que os “modelos” humanos, aqueles que nos inspiram e nos conectam, são tão frágeis quanto preciosos. Mas ao mergulharmos nos acontecimentos que moldam o Brasil e o mundo, percebemos que o conceito de “modelo” se estende muito além da beleza física, abarcando modelos de governança, de resposta a crises, de liderança e de valores sociais que estão em constante redefinição.

Este post propõe uma jornada por essa polissemia, explorando como diferentes “modelos” – sejam eles pessoas que nos inspiram, padrões éticos questionados na política, formas de lidar com desafios ambientais ou a projeção de um país no cenário global – estão em constante redefinição, moldando a nossa realidade coletiva e individual.
1. O Modelo Humano: Vida, Luto e Legado

A dimensão mais palpável e muitas vezes a mais impactante dos “modelos” é aquela que se manifesta na figura humana. Pessoas que, por sua trajetória, profissão ou estilo de vida, se tornam referência, inspiram e, por vezes, nos deixam precocemente.
#### A Perda do Modelo JP Mantovani e o Impacto do Luto
Foi com profundo pesar que a notícia da morte de JP Mantovani, modelo e influenciador de 46 anos, foi recebida recentemente. Seu trágico acidente de moto na Marginal Pinheiros, em São Paulo, não apenas encerrou uma vida, mas gerou uma onda de comoção que ecoou amplamente na mídia e nas redes sociais. JP era uma figura conhecida, cujo trabalho na moda e como influenciador o tornava um “modelo” no sentido literal e figurado para muitos.
Foto por no Unsplash
A dor de sua perda foi particularmente sentida por sua esposa, a cantora Lí Martins, ex-integrante do grupo Rouge, com quem havia se casado recentemente. A despedida emocionada de Lí, que o chamou de “anjo de nossas vidas”, ressaltou a profundidade do luto e o impacto que JP teve não apenas em sua vida pessoal, mas também na de fãs e amigos que o acompanhavam. O sentimento de perda, a fragilidade da vida e a inesperada interrupção de uma trajetória de sucesso e amor foram temas que permearam os comentários e homenagens.
#### Reflexão sobre “O Modelo”: Inspirar e Impactar
A figura pública de JP Mantovani nos convida a uma reflexão mais profunda sobre o “modelo” humano. Modelos não são apenas aqueles que exibem roupas nas passarelas; são também aqueles que inspiram estilos de vida, compartilham aspirações e constroem legados, mesmo que de forma discreta. A morte de uma figura pública como JP, em sua plenitude, ressalta a importância de viver cada momento intensamente e o impacto duradouro que uma pessoa pode ter nas vidas de outros. Sua partida, embora triste, serve como um lembrete vívido da impermanência e da necessidade de valorizar as conexões e o propósito em nossa jornada.
2. Modelos de Governança e Ética: A PEC da Blindagem e o Debate da Anistia
Para além das individualidades, a noção de “modelo” se manifesta de forma crucial na esfera política, onde padrões éticos e de governança são constantemente testados e redefinidos. Recentemente, o Brasil foi palco de um intenso debate em torno de uma proposta legislativa que ameaça subverter os modelos de responsabilidade e transparência.
#### Os Protestos Contra a Impunidade: A Voz da Sociedade
Em um impressionante ato de mobilização nacional, diversas manifestações foram organizadas simultaneamente em todas as 27 capitais brasileiras. Liderados por partidos de esquerda (como PT, PSOL, PCdoB, Rede), centrais sindicais (como a CUT) e movimentos sociais (como o MST), esses protestos tinham um alvo claro: a “PEC da Blindagem” ou “PEC da Anistia”. Esta proposta, que ganhou destaque no cenário político, visa anistiar crimes eleitorais, como o caixa 2, levantando sérias preocupações sobre a impunidade. As mensagens centrais dos manifestantes eram unívocas: defesa intransigente da democracia, exigência de moralidade na política, rejeição veemente à impunidade e um alerta contundente para os riscos que tal medida representaria para a integridade do processo eleitoral. A participação de artistas e figuras culturais, amplificando a causa, demonstrou a transversalidade do tema e a preocupação generalizada com o futuro da ética política no país.
#### A Manobra no Congresso Nacional: O Voto pela Anistia
A controvérsia em torno da anistia se intensificou com as manobras no Congresso Nacional. Uma “anistia ampla” estava sendo articulada através do PLP 112/2021, um projeto que originalmente tratava de desinformação. No entanto, um substitutivo polêmico, inserido pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade), transformou a proposta, ampliando o escopo da anistia. Os potenciais beneficiários seriam diversos: envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, aqueles que cometeram crimes eleitorais e os responsáveis pela disseminação de desinformação – uma lista que potencialmente poderia incluir até mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foto por no Unsplash
A situação gerou intensas tensões políticas, com a oposição (PL e aliados de Bolsonaro) apoiando ativamente a medida, enquanto o governo e seus aliados se mantinham em alerta. Bolsonaro, por sua vez, adotou um silêncio estratégico para evitar “contaminar” o projeto com sua imagem polarizadora. A “janela de oportunidade” para aprovar tal medida, segundo análises políticas, seria o “esvaziamento” da Câmara devido às eleições municipais, um período em que a atenção pública e o escrutínio podem ser menores.
#### Reflexão sobre “Modelos de Ética”: A Luta pela Integridade
Este cenário expõe um choque fundamental de “modelos”. De um lado, temos um modelo que parece advogar pela impunidade, pela flexibilização de regras em benefício de interesses políticos e pela relativização da ética em nome da conveniência. De outro, a sociedade civil e setores da política defendem um modelo de responsabilidade, transparência e integridade, onde a lei é igual para todos e a moralidade é um pilar inegociável da governança. A pressão popular e a vigilância contínua da sociedade civil mostram a importância da participação cidadã na defesa de um modelo ético de política, um modelo que não apenas pune desvios, mas que também previne a sua ocorrência, fortalecendo as bases democráticas do país.
3. Modelos de Resiliência e Liderança: Desafios Naturais e a Diplomacia Global
Os “modelos” também se manifestam na forma como enfrentamos desafios coletivos, sejam eles impostos pela natureza ou pela complexidade das relações internacionais. Nesses momentos, a capacidade de resposta e a liderança se tornam cruciais.
#### O Ciclone no Rio Grande do Sul: Enfrentando a Natureza
O Rio Grande do Sul, mais uma vez, enfrentou a fúria da natureza com a passagem de um ciclone extratropical. O evento trouxe consigo chuvas torrenciais, ventos que atingiram até 70 km/h e granizo, causando estragos significativos. Milhares de imóveis ficaram sem energia elétrica – entre 10 mil e 23 mil, dependendo da região – e centenas de famílias (entre 200 e 237) foram forçadas a abandonar suas casas, ficando desabrigadas ou desalojadas. A tragédia se intensificou com a confirmação de pelo menos uma morte, com outras sendo reportadas e investigadas. A resposta imediata da Defesa Civil, com alertas e monitoramento constante, ilustra um modelo de tentativa de mitigação e preparação para desastres naturais, mas também revela a vulnerabilidade e a necessidade de resiliência das comunidades frente a eventos climáticos extremos.
#### A Missão de Lula na ONU: Liderança Global e Cooperação
Em contraste com a força bruta da natureza, o Presidente Lula empreendeu uma missão de alta diplomacia, representando o Brasil na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nos EUA. Acompanhado por uma comitiva robusta, incluindo ministros estratégicos como Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente), Lula levou uma pauta ambiciosa e global. Os temas centrais da participação brasileira incluíram o combate à desigualdade global, o desenvolvimento sustentável, a promoção da cooperação multilateral, a proteção do meio ambiente, a estabilidade econômica e a defesa dos direitos humanos. Esta viagem e a agenda proposta refletem um “modelo” de liderança global que busca projetar os valores do Brasil e oferecer soluções para desafios coletivos, como a mudança climática e a desigualdade, reforçando o papel do país no cenário internacional.
#### Reflexão sobre “Modelos de Resposta e Liderança”: Desafios e Oportunidades
Estes dois eventos, embora distintos, convergem na forma como nos forçam a avaliar nossos “modelos” de resposta e liderança. O ciclone no Rio Grande do Sul desafia o nosso “modelo” de resiliência e preparação para desastres, mostrando a urgência de políticas climáticas eficazes e de infraestruturas mais robustas. A missão de Lula na ONU, por sua vez, projeta um “modelo” de liderança global que enfatiza a cooperação, a multilateralidade e a busca por um mundo mais justo e sustentável. Ambos os cenários nos lembram que a forma como respondemos a crises e como lideramos em tempos de incerteza – seja localmente ou no palco mundial – define a nossa capacidade de construir um futuro mais seguro e equitativo.
Foto por no Unsplash
Conclusão
Como vimos, a palavra “modelo” transcende em muito a imagem inicial de uma pessoa na passarela. Ela permeia diversas esferas da nossa vida, da individual à coletiva, da nacional à global, e sua compreensão é fundamental para interpretarmos o mundo ao nosso redor.
Ao longo deste artigo, exploramos diferentes “modelos”: a vida e o luto de um influenciador que nos lembra da fragilidade humana; o debate sobre a ética política e a impunidade, que desafia os pilares da nossa governança; a resiliência frente aos desastres naturais, que nos obriga a repensar nossa relação com o planeta; e a liderança no palco mundial, que projeta os valores de um país na busca por soluções coletivas.
A sociedade está em um processo contínuo de busca e reavaliação de seus “modelos” – seja de pessoas que nos inspiram e deixam um legado, de padrões morais que exigimos de nossos líderes e instituições, ou de caminhos para um futuro mais sustentável e justo. A forma como escolhemos, aceitamos ou rejeitamos esses “modelos” define, em última instância, quem somos como coletividade e para onde estamos caminhando. A complexidade do mundo exige que estejamos atentos a todas as nuances que a palavra “modelo” carrega.
Qual desses “modelos” abordados neste post mais te impactou? Que tipo de “modelo” de sociedade, política ou liderança você acredita ser o mais urgente para construirmos no Brasil e no mundo hoje? Deixe seu comentário e participe dessa reflexão!
Compartilhe este texto e convide seus amigos a pensar sobre os múltiplos “modelos” que nos cercam.

