Além da Passarela: Como a Ideia de “Modelo” Permeia e Molda Nossa Sociedade em Diferentes Esferas
Quando ouvimos a palavra “modelo”, a primeira imagem que nos vem à mente pode ser a de alguém desfilando em uma passarela, um ícone de estilo e beleza que dita tendências. É uma figura de glamour, aspiração e, por vezes, de inatingibilidade. Mas e se eu te dissesse que “modelo” é uma palavra muito mais complexa, presente em diversas facetas da nossa existência, e que transcende largamente o universo da moda?

Na verdade, “modelo” pode ser uma pessoa que inspira e estabelece um padrão, seja ele positivo ou negativo. Pode ser um padrão a ser seguido, um ideal a ser alcançado, ou mesmo um sistema de funcionamento, uma representação teórica, ou um exemplo a ser evitado. A versatilidade do termo é notável, e sua presença é sentida em todos os cantos da nossa sociedade.

Neste post, vamos mergulhar em como a ideia de “modelo” se manifesta em diferentes esferas da nossa vida. Da figura pública que inspira, aos padrões de conduta política que nos regem, e até mesmo aos fenômenos naturais que nos desafiam, exploraremos notícias recentes que ilustram essa diversidade, revelando a teia complexa de significados que a palavra “modelo” carrega.
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O “Modelo” como Ícone Humano e Seu Legado: A Fragilidade da Imagem Pública
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Comecemos pelo significado mais imediato: o “modelo” como pessoa. Ícones humanos, seja na moda, no esporte ou nas redes sociais, exercem uma influência poderosa, ditando não apenas estilos, mas também comportamentos e aspirações. Eles se tornam, para muitos, um “modelo” de como viver, vestir ou se apresentar ao mundo. No entanto, a vida, com sua imprevisibilidade e fragilidade, frequentemente nos lembra que esses ícones são, acima de tudo, seres humanos.
A recente e trágica morte de JP Mantovani é um exemplo doloroso dessa realidade. Modelo, influencer e figura pública reconhecida no universo da moda e nas plataformas digitais, JP representava para muitos um “modelo” de sucesso profissional e estilo de vida. Sua visibilidade fez com que a notícia de seu falecimento precoce ressoasse com um choque profundo por todo o país, gerando uma onda de comoção e reflexão.
Além de sua persona pública, JP era uma pessoa com laços pessoais e afetivos profundos. Seu relacionamento com Li Martins, cantora e ex-integrante do grupo Rouge, e a união recente, amplificaram a tristeza do momento. A emoção expressa na despedida – “anjo das nossas vidas” – reverberou como um eco de uma perda que vai muito além da figura pública. A vida e a morte de JP Mantovani nos obrigam a questionar o legado dos “modelos” humanos e a forma como eles impactam as pessoas ao seu redor. A fragilidade do “modelo” idealizado de sucesso e beleza se choca violentamente com a realidade humana das perdas e da dor, lembrando-nos que, por trás de qualquer imagem, há uma vida complexa e vulnerável. Ele foi um “modelo” em seu ofício, mas também um “modelo” de inspiração para muitos, e sua partida nos lembra da efemeridade de nossa existência.
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Modelos Políticos: O Dilema entre Justiça e Impunidade
Saindo do âmbito pessoal para o coletivo, a ideia de “modelo” é igualmente central na política e na legislação. Aqui, falamos de “modelos” de conduta, de sistemas de governança e de padrões de integridade que uma nação aspira – ou deveria aspirar – a seguir. O debate público, muitas vezes, é um confronto entre diferentes “modelos” de como a sociedade deve ser organizada e quais valores devem prevalecer.
Um exemplo contundente dessa disputa é a recente discussão sobre a “PEC da Anistia”, também conhecida como “PEC da Blindagem”. Esta proposta legislativa foi amplamente vista como um “modelo” preocupante de acobertamento de ilícitos, capaz de enfraquecer pilares fundamentais da nossa democracia. A ideia de “passar a régua” em crimes eleitorais cometidos até 2022, como Caixa 2, uso indevido de meios de comunicação e poder econômico, e a disseminação de fake news, provocou uma mobilização nacional. Atos de protesto foram realizados em todas as capitais, com partidos de oposição e diversas figuras públicas se manifestando veementemente contra a proposta. O clamor popular por um “modelo” de responsabilização e contra a impunidade política foi ensurdecedor, rejeitando um “modelo” de legislação que, na visão de muitos, privilegiaria os interesses de poucos em detrimento da justiça.
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No Congresso, a “PEC da Anistia” revelou um “modelo” de manobra legislativa. A inclusão da anistia ampla em um Projeto de Lei (1.832/2021) que originalmente se focava em ajustes de regras partidárias gerou grande controvérsia. A oposição, encabeçada pelo PL de Bolsonaro, buscava beneficiar aliados que enfrentam processos por crimes eleitorais. O papel crucial do Centrão e de Arthur Lira, presidente da Câmara, tornou-se central nessa articulação. O próprio governo expressou preocupação com emendas de plenário que poderiam contornar a proposta inicial do relator e, ao final, ampliar ainda mais o escopo da anistia. Este processo legislativo em si serve como um “modelo” de como as leis são criadas – ou, por vezes, manipuladas – e expõe o embate sobre qual “modelo” de representatividade, transparência e combate à corrupção deve prevalecer no Congresso Nacional. É a luta entre um “modelo” de justiça para todos e um “modelo” de privilégio para alguns.
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Modelos Globais e Desafios Urgentes: Da Diplomacia à Crise Climática
Ampliamo o escopo para a esfera global, onde “modelos” de governança internacional, aspirações de liderança e os desafios impostos por “modelos” naturais extremos se interconectam de maneira crucial. A forma como as nações interagem e os padrões climáticos que vivenciamos são, cada um a seu modo, “modelos” que moldam nosso futuro coletivo.
A presença do Brasil no cenário internacional, com uma delegação liderada pelo Presidente Lula na Assembleia Geral da ONU, ilustra a busca por um novo “modelo” de diplomacia global. O Brasil defende o multilateralismo, a reforma de instituições globais obsoletas como a ONU e as instituições de Bretton Woods, e um combate veemente à desigualdade e às mudanças climáticas. O encontro bilateral com Joe Biden, presidente dos EUA, reforça a intenção de fortalecer relações e buscar soluções conjuntas para problemas complexos. Lula tem posicionado o Brasil como um “modelo” de liderança no Sul Global, advogando por um “modelo” de governança internacional mais equitativo e por um “modelo” de cooperação global para enfrentar desafios que transcendem fronteiras.
Paralelamente a esses esforços diplomáticos, a realidade climática nos impõe seus próprios “modelos” – os de eventos extremos. Recentemente, o Rio Grande do Sul foi severamente atingido por um ciclone extratropical, que causou fortes chuvas, granizo e ventos intensos. Os impactos foram devastadores: alagamentos, destelhamentos, quedas de árvores e postes, e interrupção de energia deixaram um rastro de destruição. A necessidade de mobilização de emergência e reparos urgentes é um lembrete vívido da vulnerabilidade de nossas comunidades. O ciclone é um exemplo do “modelo” de eventos climáticos extremos que se tornam cada vez mais frequentes e intensos, exigindo de nós uma reavaliação de nossos “modelos” de infraestrutura, planejamento urbano e preparação para desastres naturais. Ele eleva a urgência de repensarmos nosso “modelo” de desenvolvimento e sua relação com as mudanças climáticas, um tema central na pauta de Lula na ONU. É a natureza nos apresentando um “modelo” de seu poder e nos cobrando um “modelo” de resposta mais sustentável.
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Conclusão
De ícones da passarela que nos inspiram a sonhar, a discussões legislativas cruciais que definem o pulso da nossa democracia, e aos implacáveis padrões climáticos que remodelam nossas paisagens, a palavra “modelo” revela sua multifacetada e essencial presença em nosso cotidiano. Longe de ser um conceito restrito, ela é um elo que conecta fenômenos aparentemente díspares, mostrando como padrões e exemplos, sejam eles humanos, sociais, políticos ou naturais, estão constantemente em jogo.
Seja o “modelo” que inspira admiração, o “modelo” de conduta que buscamos ou rejeitamos em nossos líderes, ou o “modelo” de sistemas que nos governam e os “modelos” de fenômenos que impactam nosso planeta, a verdade é que estamos constantemente interagindo com padrões e exemplos que moldam nossa realidade. Compreender essas diferentes manifestações e a profundidade de seus significados nos ajuda não apenas a interpretar melhor o mundo ao nosso redor, mas também a participar ativamente de sua construção, escolhendo quais “modelos” queremos perpetuar e quais precisam ser transformados.
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