Modelos em Crise e Transformação: Da Influência Pessoal aos Pilares da Sociedade
A vida é um complexo tecido de padrões, ideais e estruturas que moldam nossa realidade – em outras palavras, somos constantemente confrontados com “modelos”. Recentemente, uma série de eventos no Brasil e no mundo tem nos forçado a reavaliar esses modelos, desde a forma como percebemos a influência pessoal até os pilares de nossa governança e a convivência com o planeta. Eles estão sendo testados, desafiados e, por vezes, dolorosamente redefinidos.

A trágica perda de JP Mantovani, modelo e influencer, chocou a todos, não apenas pela brutalidade do acidente, mas também por nos lembrar da efemeridade da vida e do impacto que figuras públicas têm em nosso cotidiano. Mais do que um “modelo” no sentido literal da moda, Mantovani representava um padrão de influência, de vida exposta, de representação social. Sua morte nos convida a expandir a reflexão para a ideia de que, em diferentes esferas, estamos constantemente confrontados com “modelos”: modelos sociais, políticos, ambientais e até mesmo globais.

Este post propõe uma análise de como esses diversos “modelos” – de comportamento humano, de governança democrática, de interação com o planeta e de relações internacionais – estão sendo testados e transformados diante dos eventos recentes, nos convidando a refletir sobre os padrões que queremos seguir e construir para o futuro.
O Modelo Humano e a Construção da Influência: Da Fama à Perda

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A figura do “modelo” transcende as passarelas. Ela se manifesta em indivíduos que, por sua projeção ou atitudes, se tornam referências para um grande público. O caso de JP Mantovani é um exemplo contundente. Sua morte em um trágico acidente automobilístico não apenas gerou comoção pela perda de uma vida jovem, mas também ressaltou o luto de sua ex-esposa, a cantora Li Martins, e a dor de tantos que o acompanhavam nas redes sociais. JP, como tantos influencers, era um *modelo* de estilo de vida, aspirações e até mesmo valores para uma parcela da população, ilustrando o poder da representação e a responsabilidade que vem com a visibilidade. Essas figuras se tornam um espelho de aspirações, um padrão de como “ser” ou “viver” na era digital.
Em contraste e complementaridade, observamos outro tipo de “modelo” de influência: o engajamento cívico de artistas. A participação de figuras como Gregório Duvivier, Emicida, Caetano Veloso e Chico Buarque nos protestos contra a polêmica PEC da Anistia demonstra como esses indivíduos funcionam como amplificadores de mensagem. Eles utilizam sua visibilidade para atrair a atenção do público para causas políticas e sociais, reforçando ou desafiando os *modelos* de comportamento político esperados. Ao se posicionarem, esses artistas oferecem um *modelo* de ativismo, usando sua plataforma para defender a integridade democrática e mobilizar a sociedade. A responsabilidade e o impacto inerentes a quem se torna um “modelo” em destaque, seja por sua profissão ou por seu ativismo, são inegáveis, moldando o imaginário coletivo e influenciando ações.
Modelos de Governança e a Integridade Democrática: A Luta Contra a “Autoanistia”
No campo da governança, o “modelo” democrático brasileiro foi severamente posto à prova com a proposta da PEC da Anistia. Conhecida como a “PEC da Blindagem” ou “PEC da Autoanistia”, esta medida visava anistiar crimes eleitorais cometidos até 2022, incluindo o uso de fake news e abuso de poder econômico ou político. Tal proposta representava um questionamento direto ao *modelo* de justiça e accountability, minando a lisura e a segurança jurídica das eleições e, por extensão, a própria essência da democracia.
A reação popular, no entanto, demonstrou a força de outro *modelo*: o da defesa democrática pela sociedade civil. Uma onda de protestos massivos se espalhou por 27 capitais brasileiras e diversas cidades internacionais, unindo partidos de esquerda, movimentos sociais, juristas e artistas sob o grito uníssono de “Anistia, não!”. Essa mobilização em larga escala serve como um *modelo* de vigilância e engajamento popular, vital para proteger as instituições contra tentativas de erosão.
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Adicionalmente, as manobras políticas empregadas para aprovar a PEC revelaram um *modelo* de ação política que desafia a transparência legislativa. A tentativa do PL de inserir a anistia ampla (incluindo o 8 de janeiro) como emenda em outro projeto (PL 1032/2024), na chamada estratégia do “jabuti”, visava contornar o debate público e a devida apreciação. A preocupação do governo, a ameaça de boicote por parte da base aliada e a possível intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF), juntamente com a desconfiança em relação ao relator do projeto, evidenciam a fragilidade do *modelo* de cooperação e debate construtivo no Congresso. Tudo isso sublinha a constante necessidade de vigilância e participação popular para proteger e aperfeiçoar o *modelo* democrático contra tentativas de erosão.
Modelos de Convivência com o Planeta e a Ordem Global: Clima Extremo e Diplomacia
O clima, um dos mais antigos “modelos” que governam a vida na Terra, está em plena revolução, e nossos *modelos* de convivência com ele estão em xeque. O recente ciclone extratropical que atingiu a Região Sul do Brasil é um lembrete dramático dessa crise. Fortes chuvas, granizo, ventos intensos, quedas de árvores e postes, e inundações em diversas cidades do Rio Grande do Sul causaram estragos imensos e desalojaram milhares de pessoas. Esses eventos extremos questionam nossos *modelos* urbanísticos, de infraestrutura e de planejamento, expondo a vulnerabilidade de nossas cidades e a urgência de adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas. Não podemos mais ignorar que os padrões climáticos estão mudando, e com eles, a necessidade de repensar cada aspecto de nossa interação com o ambiente.
Nesse cenário de desafios globais, o Brasil busca reafirmar seu *modelo* de liderança no cenário internacional. A participação do Presidente Lula na 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, acompanhado por uma comitiva robusta de ministros, reforçou o compromisso do país com o desenvolvimento sustentável, o combate à pobreza e à fome, e as pautas climáticas. Isso mostra o Brasil buscando reafirmar seu *modelo* de liderança em temas globais, defendendo a multilateralidade e a cooperação.
Ainda no contexto das relações internacionais, diferentes *modelos* de abordagem diplomática são evidentes. A discussão sobre as reações de Lula (então ex-presidente) e do então vice-presidente Alckmin ao “tarifaço” imposto por Donald Trump ilustra essa distinção. Enquanto Lula defendia uma abordagem mais negociada e pragmática, Alckmin expressava uma crítica mais direta. Esses diferentes posicionamentos exemplificam distintos *modelos* de diplomacia e economia externa, mostrando como nações podem variar em suas estratégias para enfrentar desafios impostos por outras potências. A interconexão entre os *modelos* ambientais e geopolíticos é inegável, e a necessidade de cooperação internacional para enfrentar crises que transcendem fronteiras é mais urgente do que nunca.
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Conclusão
Desde o padrão de influência pessoal de um “modelo” de moda até os complexos “modelos” de governança e sustentabilidade global, a sociedade está em constante revisão e transformação. Os eventos recentes servem como um lembrete vívido de que nenhum “modelo” é estático. Eles são construídos, desafiados e, por vezes, rompidos, exigindo nossa atenção e engajamento.
A perda de vidas, as ameaças à democracia e os impactos devastadores das mudanças climáticas são sintomas de que os padrões estabelecidos nem sempre são os mais adequados ou resilientes. É nossa responsabilidade coletiva questionar, debater e colaborar na construção de “modelos” mais justos, transparentes, sustentáveis e representativos para o futuro que desejamos.
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Diante de tantos “modelos” em xeque, quais você acredita que precisamos urgentemente repensar ou fortalecer em nossa sociedade? Como podemos, individual e coletivamente, contribuir para construir “modelos” mais transparentes, sustentáveis e democráticos? Compartilhe sua opinião nos comentários e junte-se a esta reflexão!

